Ciência
10 Agosto de 2023 | 16h16

Guerra nuclear pode causar efeitos climáticos mais graves do que cientistas imaginavam

Além de todos os atritos políticos entre diversas nações em todo o mundo, a cinebiografia de Oppenheimer, dirigida por Christopher Nolan, reacendeu a curiosidade das pessoas sobre a bomba atômica.

Recentemente, os especialistas descobriram que uma guerra nuclear seria muito mais prejudicial ao clima do planeta Terra nos dias actuais, do que os cientistas sugeriram na época da guerra fria.

Em um artigo publicado no site The Conversation, o professor de Ciência do Sistema Terrestre na University College London (UCL)Mark Maslin, sugere que uma guerra nuclear causaria muito mais destruição do que a humanidade pode imaginar. Diferentemente da época da guerra fria, quando havia mais de 65 mil armas nucleares na Terra, actualmente a humanidade possui aproximadamente 12,5 mil bombas nucleares.

Apesar de existirem menos ogivas, os modelos científicos atuais sugerem que uma guerra nuclear entre Rússia e Estados Unidos causaria um esfriamento profundo no oceano e, provavelmente, iniciaria uma pequena era do gelo nuclear que duraria milhares de anos. Contudo, a previsão também sugere que a guerra incluiria outros países e, por isso, causaria mudanças climáticas ainda mais graves.

O início da guerra entre a Rússia e Ucrânia também ajudou a reascender o medo acerca de uma guerra nuclear; o presidente russo Vladimir Putin até ameaçou liberar ogivas.

O início da guerra entre a Rússia e Ucrânia também ajudou a reascender o medo acerca de uma guerra nuclear; o presidente russo Vladimir Putin até ameaçou liberar ogivas.

"Uma guerra em que mesmo uma fracção dessas bombas fosse detonada criaria ondas explosivas e incêndios capazes de matar milhões de pessoas quase instantaneamente. Os cânceres induzidos pela radiação e os danos genéticos afetariam a população restante por gerações”, explica Maslin no artigo.

Uma nova guerra nuclear?

Em 1986, um acordo sobre a proliferação de armas nucleares, entre o presidente norte-americano Ronald Reagan e o secretário-geral russo Mikhail Gorbachev, ajudou a reduzir o número de ogivas em todo o mundo. Na época, estudos sugeriram que uma guerra nuclear poderia produzir uma nuvem de fumaça radioativa e criar um inverno nuclear, capaz de devastar a agricultura e, consequentemente, a civilização.

Apesar de existirem menos armas nucleares, os modelos climáticos actuais apontam que o início de uma guerra nuclear entre dois países poderia se transformar em um conflito mundial e causar a destruição da humanidade. Por exemplo, é estimado que uma guerra nuclear entre Estados Unidos, Europa e China poderia assassinar 360 milhões de pessoas e, nos dois anos seguintes, causar a fome de aproximadamente 5,3 bilhões de pessoas.

"Cientistas ambientais liderados por Alan Robock, da Rutgers University, nos EUA, argumentaram em um artigo recente que a teoria do inverno nuclear ajudou a acabar com a proliferação de armas nucleares durante a Guerra Fria. Robock disse que agora é ‘ainda mais urgente’ que os cientistas estudem as consequências da detonação de armas nucleares para garantir que o maior número possível de pessoas saiba sobre elas”, acrescenta Maslin.


Fonte: TecMundo