Sociedade
20 Janeiro de 2022 | 11h40

Restos mortais de Zeca Tirilene repousam no Alto das Cruzes

Os restos mortais do guitarrista Zeca Tirilene, falecido no passado sábado, vítima de doença, já repousam, desde quarta-feira (19), no Cemitério do Alto das Cruzes, em Luanda.

Num momento marcado pela dor e tristeza, a cerimónia fúnebre, limitada devido à Covid-19, foi testemunhada por familiares, amigos, músicos e admiradores de Zeca Tirilene, que deixou registos de talento em temas como "Rosa Rose”, "Memória Guy”, "Nvunda Musanzala”, "Lamento de Mingo”, "Za Boba”, "Che ché mãe” e "Milhorró”.

Numa mensagem do ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, lida, ontem, na cerimónia fúnebre especial, realizada no Centro Recreativo e Cultural Kilamba, em Luanda, Filipe Zau lamentou o facto de a música angolana perder uma das referências, "cujo legado deve ser transmitido para as novas gerações”.

Na mensagem, lida pelo secretário-geral da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-SA) Eliseu Major, o ministro enaltece, ainda, os feitos do malogrado, cuja carreira começou no Sambizanga, no bairro Braguês, onde integrou o grupo "Kinzas”, na década de 1960.

O ministro recordou, na mensagem, que em 1968, Zeca Tirilene como guitarrista e organista, foi convidado pelo cantor e compositor Massano Júnior, para integrar e fundar o agrupamento "África Show”, tendo acrescentado, que após a independência de Angola, entrou para "Os Merengues”.

Em 1977, no bairro Marçal, continuou, o malogrado ingressou no conjunto "Os Kiezos”, tendo logo o grupo viajado para a Itália, na inauguração da Embaixada de Angola naquele país europeu. Na década de 1986, integrou igualmente o Instrumental 1º de Maio, tendo em 2002, regressado aos Kiezos.

O músico Armando Rosa, como representante da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), que acompanhou o enterro, destacou a participação activa de Zeca Tirilene, enquanto integrante dos Kiezos, Kinzas, África Show, Merengues, Instrumental 1º de Maio e Banda Welwitchia, no desenvolvimento da música popular e urbana, com realce ao semba.

O malogrado, lembrou, juntamente com outros integrantes do grupo Os Kiezos participaram em vários festivais pela a Europa, tendo actuado em países como Alemanha, União Soviética, Polónia, Bélgica, assim como Cabo Verde e nos Congos, Democrático e Brazzaville.

Por sua vez, a mensagem familiar, lida por uma das netas do malogrado, está recordou o avô, como sendo um homem íntegro que sempre procurou transmitir o legado às novas gerações, tendo cumprido fielmente o papel de pai, conselheiro e amigo.

A Associação dos Amigos e Naturais do Marçal considerou a morte de Zeca Tirilene como a oportunidade para fazer uma profunda reflexão sobre o estado da classe artística.

Zeca Tirilene começou a carreira muito cedo no Bairro Marçal, onde nasceu.

Fonte: JA