Educação
18 Janeiro de 2022 | 10h17

Primeiro dia do reinício das aulas marcado por afluência de alunos e professores

A maior parte de professores e alunos do ensino geral público e privado em Luanda compareceu, segunda-feira (17), nas escolas, marcando o reinício das aulas, suspensas no passado dia 3, por causa do aumento de casos de Covid-19.

Numa ronda em algumas escolas dos municípios de Viana e Luanda o Jornal de Angola constatou grande presença de alunos e professores. No Complexo Escolar São Domingo, no Distrito Urbano do Rangel, por exemplo, a directora pedagógica, Silvina da Silva, disse que o retorno às aulas vai permitir que as crianças, adolescentes e jovens reanimem as esperanças em concluir o ano lectivo.

Silvina da Silva referiu que os alunos ficaram sem actividades académicas mais de 30 dias, o que contribuía para um desgaste psico-emotivo. 

Logo pela manhã, contou a subdirectora pedagógica, fui surpreendida pela grande enchente de alunos do primeiro ciclo e também pela presença de professores, que prontamente dirigiam-se às salas de aula.

Os professores e alunos do ensino geral, referiu a responsável para área pedagógica do Complexo Escolar São Domingo, estão conscientes da crise sanitária que o país e mundo atravessam, mas não querem que haja mais interrupções das aulas.  
"Os pais e encarregados de educação devem sensibilizar de forma contínua os seus educados no sentido de respeitarem e cumprirem as medidas de biossegurança", apelou Silvina da Silva. 

Amaral Luís, pai e encarregado de educação de um aluno da 4ª classe na Escola do Ensino Primário "Nossa Senhora da Luz" manifestou-se satisfeito com o reinício das aulas e com a presença, ontem, de grande parte dos alunos. 

Em relação às medidas de biossegurança criadas na escola "Nossa Senhora da Luz", o encarregado de educação disse que a instituição tem as condições de higienização para garantir segurança sanitária aos professores e alunos.  
Um dos professores da Escola do I Ciclo do Ensino Secundário Rei Mandume, que preferiu o anonimato, disse que foi possível notar por parte dos alunos sentimento de alegria em relação ao retorno das actividades académicas e reencontro entre colegas.

Cacuaco com poucos alunos  

O reinício das aulas, ontem, nas escolas do município de Cacuaco, em Luanda, foi marcado por elevado grau de absentismo no ensino de base. 

Numa ronda efectuada pelo Jornal de Angola por algumas escolas do município notou-se várias salas vazias, assim como a ausência de pais e encarregados de educação a levarem os filhos às escolas. 

Nas escolas 185, 4060 e 4026, nos bairros do Muculo e do Cowboi, na Kilunda, na comuna da Funda, o absentismo foi bastante notável. A título de exemplo, na escola número 4060, dos 616 alunos apenas 50 estiveram presentes e assistiram as aulas.  

Esta situação obrigou a direcção da escola a dispensar a maioria dos professores, segundo o director pedagógico da instituição, Zeferino Soma.

O mesmo cenário foi verificado nas escolas 185 e 4020, também na comuna da Funda. A maioria dos alunos não compareceu às aulas. 

Cândido Mbulai, professor da 2ª classe, da escola 185, na Kilunda, associou a fraca presença dos alunos ao facto de ser o primeiro dia, mas mostrou-se esperançado de que ao longo da semana o cenário venha a inverter-se, com a comparência do maior número de alunos.

Se em algumas escolas do ensino primário o absentismo no primeiro dia esteve em alta, o mesmo não se pode dizer de alguns colégios e de escolas do ensino médio. 

Foi o caso do Instituto Médio Politécnico de Cacuaco, que recebeu 80 por cento de alunos, tal como afirmou o seu director, Amaro Narciso. 

 Adérito Machado, director do colégio Cowboi, disse que o primeiro dia arrancou sem qualquer sobressalto.

  Cidade de Ondjica com grande índice de absentismo

O retorno às aulas em grande parte das escolas da cidade de Ondjiva, na província do Cunene, foi marcado pela fraca presença de alunos nas salas de aula, conforme a constatação do Jornal de Angola. O giro teve início na escola do ensino primário 122, onde nas cerca de oito salas viam-se mais carteiras livres do que preenchidas, em algumas havia apenas três ou quatro alunos.
Imagem idêntica verificou-se nas escolas do primeiro ciclo, escola 4 de Fevereiro, colégio Pitágoras e Instituto Médio de Administração e Gestão.

Nesta última, viam-se salas vazias e apenas uns poucos alunos nos corredores da instituição, que nem representavam dez por cento da população escolar. Já os professores fizeram-se presentes em peso.

O director da instituição, Gilberto Malavoloneke, disse à nossa reportagem que muitos alunos dificilmente aparecem no primeiro dia de aulas, acrescentando que a fraca presença de alunos pode estar relacionada com a vacinação contra a Covid-19. 

"Muitos alunos terão ouvido que a partir de hoje (ontem) quem não estiver vacinado será impedido de entrar na escola e assim decidiram acorrer aos postos de vacinação para apanharem a dose, quando na verdade ainda têm duas semanas para cumprirem com a exigência”, justificou.

O Jornal de Angola visitou o posto de vacinação contra a Covid-19, na Casa da Juventude, uns dos dois existentes na cidade de Ondjiva, e notou grande presença de adolescentes perfilados para apanhar a primeira dose, a maioria com idades entre 12 e 13 anos, sem acompanhamento de um adulto. 

Foi o caso de Ana Perpétua, de 13 anos, aluna da 7ª classe na escola do I ciclo de Oifidi, a sete quilómetros da cidade, que disse ter ido com uma colega, também menor, para apanhar a vacina.
Uma enfermeira no local disse que o posto está a administrar as vacinas AstraZeneca, Biofarma e a Moderna.