Ciência
24 Novembro de 2022 | 16h18

Humanos já controlavam o fogo para cozinhar alimentos há 780 mil anos

Cientistas encontraram a evidência mais antiga do uso controlado de fogo para cozinhar alimentos. A descoberta foi feita após a análise de restos de um peixe encontrado em um sítio arqueológico em Israel, os quais apresentaram sinais de cozimento por humanos pré-históricos, há 780 mil anos — 600 mil anos antes da então maioria dos registros conhecidos, atribuídos ao homo sapiens.

O trabalho foi publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution e representa uma peça importante na reconstrução dos primeiros passos e tradições dos hominídeos primitivos. No caso, foram identificados no local dentes faríngeos, usados para triturar alimentos duros, pertencentes a peixes da família das carpas.

O estudo da estrutura que forma o esmalte dentário, cujo tamanho aumenta com a exposição ao calor, mostrou que esses restos foram expostos a temperaturas entre 200 e 500 graus Celsius — prova de que o fogo era controlado. Isso porque se o peixe tivesse sido queimado por um eventual incêndio espontâneo, ele apresentaria temperaturas bem mais altas.

"A grande quantidade de restos de peixes encontrados no local prova seu consumo frequente pelos primeiros humanos, que desenvolveram técnicas especiais de culinária. A descoberta demonstra não apenas a importância dos habitats de água doce e dos peixes para o sustento da comunidade, mas também ilustra a capacidade de controlar o fogo para cozinhar alimentos e sua compreensão dos benefícios de cozinhar peixes antes do consumo”, escreveram os autores.

Pesquisa revela a evidência mais antiga do uso controlado de fogo para cozinhar alimentos

"Isso marca um avanço evolutivo significativo, pois forneceu um meio adicional para otimizar o uso dos recursos alimentares disponíveis. É até possível que o cozimento não se limitasse a peixes, mas também incluísse vários tipos de animais e plantas”, adicionaram.

Segundo a pesquisa, o consumo de alimentos cozidos reduz a energia corporal necessária para a digestão, o que teria permitido o desenvolvimento de outros sistemas físicos naquela população. Além disso, a abundância de peixes na região fornecia uma fonte constante de nutrição, reduzindo a necessidade de migração em busca de comida.

Esse cenário pode ter proporcionado mais tempo livre para os humanos primitivos criarem diferentes sistemas sociais e comportamentais. Para os cientistas, "comer peixes é o que nos tornou humanos”, em razão da presença de nutrientes fundamentais para o desenvolvimento do cérebro humano.

Fonte: TecMundo