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02 Setembro de 2022 | 17h59

Gabão acolhe cimeira sobre comércio ilegal de espécies

A cidade de Libeeville (Gabão) acolhe, de 2 a 4 de Setembro, a 19ª e 15ª sessões das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES).

Durante o evento, especialistas ligados a biodiversidade estarão na mesa temas de interesses comum, nomeadamente a exploração ilgeal e comércio da fauna e flora selvagem, consequências, estratégia para conter tais actos e investimentos.

A propósito, a comissária africana, Josefa Sacko, que intervia  na  II reunião de negociadores africanos, afirmou que África é o continente do futuro por albergar uma diversidade biológica excepcional, embora seja, o segundo pulmão do planeta em termos de absorção de carbono.

Josefa Sacko disse que, embora, com os activos ambientais, nomeadamente o bloco florestal da Bacia do Congo, e com uma população mundial mais jovem do planeta, Africa tem a obrigação de gerir melhor os recursos naturais com vista ao desenvolvimento sustentável, de modo a legar às gerações futuras um rico património.

Fez saber que muitos países africanos têm como meios de subsistência este dividendo e que o desenvolvimento socioeconómico das comunidades nas áreas rurais e urbanas são altamente dependentes do uso da fauna e flora selvagens.

Conforme a diplomata, a perda da fauna e flora africanas afecta directa e indiretamente os meios de subsistência das pessoas, além disso, o comércio ilícito dos recursos naturais de África priva os seus estados de receitas, prejudicando o crescimento económico.

"A União Africana continua ciente do uso insustentável da fauna e flora selvagens e do forte crescimento do comércio ilegal nos últimos anos, retardando o desenvolvimento sustentável, paz, segurança, Estado de direito e boa governação”, enfatizou.

A Comissária frisou que para conter este mal a UA adoptou, na vigésima quinta e vigésima sétima sessões ordinárias do Conselho Executivo da União Africana, respectivamente, o desenvolvimento de uma estratégia africana sobre a luta contra a exploração ilegal e o comércio ilegal de fauna e flora selvagem, bem como  endossou a Declaração de Brazzaville da Conferência Internacional sobre este fenómeno.

"Para atingir os objectivos essenciais da agenda 2063 e da sustentabilidade do nosso continente, precisamos de estar unidos e falarmos uma só voz ao mundo.  Devemos, portanto, fomentar o espírito de consenso para chegar a uma posição comum”, defendeu a responsável do pelouro da agricultura, desenvolvimento rural, economia azul e ambiente sustentável, que cumpre o seu segundo mandato na organização africana.
 
A diplomata lembrou que os acordos internacionais estão intimamente interligados e têm impacto no bem-estar dos povos e comunidades indígenas do continente, porque "esses povos são testemunhas da preser vação do nosso meio ambiente”.