Política
04 Agosto de 2022 | 12h04

Eleições2022: Mais de seis mil angolanos votam em Portugal

Seis mil cento e 10 é o número de angolanos que se espera votarem em Lisboa, Portugal, informou hoje, quarta-feira, o vice-cônsul para as Comunidades de Angola na capital lusa, Carlos Santos.

Em declarações à ANGOP, a propósito dos preparativos do  24 de Agosto, dia da votação no país, o vice-cônsul para as Comunidades de Angola em Lisboa salientou que, do referido número, 51 por cento são homens e 49 mulheres dos 18 anos em diante. 

De acordo com a fonte, a cidade de Lisboa vai contar com duas assembleias e 10 mesas de voto. As urnas estarão abertas das 07h:00 da manhã até às 17. 

Carlos Santos considera esse tempo suficiente, porque toda a estrutura está a  ser montada para que se possa aproveitar da melhor forma.  O processo não poderá levar mais de cinco minutos, pelo que se está a fazer de tudo no sentido de que seja dinâmico e  dê a possibilidade de as pessoas circularem dentro do esquema montado. 

Em relação aos membros das mesas de assembleias de voto, informou ter sido realizado, em Lisboa, um concurso entre os dias 23 e 24 de Junho do ano em curso, no qual as pessoas apresentaram as candidaturas. O processo foi avaliado, e recentemente foram publicadas as listas dos 41 seleccionados, dos  91 concorrentes. 

Os seleccionados vão beneficiar de uma formação dentro de dias para estarem em condições de participar do processo. Aguarda-se que a CNE dê indicações em relação a isso, mas é certo que todos serão submetidos a uma formação. 

Quanto ao local de contabilização dos votos, o responsável esclareceu que o processo vai ocorrer em Lisboa, através do sistema que a CNE criou para a central. "Tudo será feito aqui, e as actas-síntese remetidas à CNE", precisou. 

Relativamente à representação dos partidos políticos, fez saber que, até ao momento, apenas dois entregaram as listas dos seus delegados e que se espera pelos restantes, que também foram comunicados, sendo que cada agremiação tem direito a um. 

Segundo a fonte, na cidade de Lisboa tem havido uma campanha mobilizadora junto das comunidades, no sentido de, no dia 24 de Agosto, todas as pessoas estarem dispostas para votar. 

"É verdade que o dia 24 será numa quarta-feira. As pessoas trabalham, têm a sua vida, por isso estamos a fazer um movimento no sentido de salvaguardar este dia. Assim, as pessoas que trabalham por turno ou mesmo que estejam empregadas deverão pedir aos seus empregadores para criarem condições, a fim de que, nessa data, possam sair para votar. Por outro lado, é aquele exercício que se faz sempre junto das comunidades, com vista a mobilizá-las e para que, na véspera, todos possam estar aqui e cumprir com o seu dever. Já aconteceu na altura do registo eleitoral oficioso e  fez-se o mesmo exercício junto das comunidades, pelo que há-de ser o mesmo na aproximação da data da votação”, explicou. 

Considera positiva a expectativa, uma vez que todo o mundo manifesta o desejo de votar, e afirma ser verdade que muitos dos concidadãos já votaram em Angola. Mas, frisou, por ser a primeira vez, há sempre uma expectativa interessante. 

Na opinião de Carlos Santos, já não há razões para duvidarem do voto, pois houve o registo, e a comunidade está motivada para isso. 

Já  a representante da CNE no Porto, Elizabeth Cunha, informou que naquela cidade portuguesa estão mobilizados pelo menos 1547 eleitores, a julgar pelo número de cidadãos com o registo eleitoral oficioso actualizado, que vão votar numa assembleia. 

De acordo com a responsável, do referido  número, constam 500 cidadãos que irão votar pela primeira vez. 

Quanto aos delegados de lista, explicou que são agentes eleitorais indicados pelos partidos e coligação de partidos políticos. 

O processo consiste em os próprios partidos, à semelhança do que acontece no país, identificarem os seus militantes e submeterem a lista de candidatos a delegados de lista à CNE, para efeitos de credenciamento. 

"Os membros das assembleias de voto no exterior também foram seleccionados por meio de concurso público, publicado no Jornal de Angola no dia 01 de Julho de 2022. Paralelamente, foi feito um edital sobre a abertura de candidaturas a membros das assembleias de voto no exterior e, consequentemente, foi utilizado um conjunto de meios para divulgar à comunidade residente a abertura do referido processo. Seguiu-se depois a selecção com base nos requisitos fixados pelo plenário da CNE para membros das mesas de assembleias de voto, que deverão iniciar dentro de dias uma formação”, esclareceu.  

Considera ainda ser grande a expectativa, maioritariamente para a franja juvenil que irá exercer o direito de voto pela primeira vez. 

A responsável apelou à comunidade angolana residente no Norte do Porto para pensar nas duas décadas de paz efectiva, em que já se realizaram eleições e que encarem esse processo como mais um marco na história do país. 

"A par da convicção política de cada um, devemos colocar o amor entre irmãos da mesma Pátria, assim como o bem maior, que é a paz. Que as eleições ocorram num clima de harmonia e tranquilidade!", aconselhou. 

Marcela Costa, estudante angolana em Lisboa, declara que a expectativa é grande, uma vez que vai participar pela primeira vez num pleito eleitoral. 

A académica manifesta-se muito feliz por poder participar na festa da democracia do  país e diz estar tão ansiosa para a chegada do dia 24 de Agosto. 

Ricardo de Sousa, 44 anos, também angolano, diz já ter votado nas eleições de 2017, tendo sido, na altura, uma honra escolher os dirigentes do país. 

Os angolanos na diáspora sempre solicitaram que também pudessem participar na festa da democracia, e o Governo, através do Presidente da República, João Lourenço, permitiu que isso aconteça. 

Jucelma de Andrade revela que já tem dispensa dada pela entidade patronal para ir votar e apela a que todos procedam da mesma forma, ou seja, pedir antecipadamente aos patrões. 

Já Maria Agostinho salienta que não vem a Angola há mais de 20 anos e que sempre foi seu desejo votar. 

Apela a todos os angolanos, maiores de 18 anos, que actualizaram o seu registo eleitoral oficioso, para irem às urnas votar no seu candidato, de modo a não alegarem fraudes.