Cultura
03 Junho de 2022 | 10h18

Manuel Boal: “O CVVAR teve acção heróica no quadro de luta de libertação de Angola”

Mais uma conversa à Quinta-Feira na Academia Angolana de Letras, desta vez para debater sobre a acção do Corpo Voluntário Angolano de Assistência aos Refugiados, marcando assim o primeiro encontro do mês de Junho.

A conferência que foi proferida pelo médico Manuel Boal contou com a moderação do sociólogo Laurindo Vieira e a participação de uma plateia via ZOOM, composta por académicos de Angola, Portugal e Suécia.
Na sua abordagem, o conferencista mencionou que teve participação na luta de libertação de Angola, tendo sido um dos fundadores do CVAAR, que era uma instituição filantrópica cujo objectivo era o de apoiar os refugiados angolanos no Congo-Léopoldville. Criado pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), o CVAAR ocupava-se da assistência médica, educação e assistência alimentar e em vestuário aos refugiados angolanos que se encontravam em Léopoldville e na fronteira de Angola com o Congo (hoje, Congo Democrático).
O CVAAR foi criado em Agosto de 1961, com a inauguração do Dispensário Central, na capital congolesa. Era uma organização apolítica, que apoiava todo e qualquer refugiado angolano. Independentemente da sua filiação política. Recebia donativos e outros apoios de organizações britânicas, do Comité dos Fundos de Solidariedade Afro-Asiática e de vários Estados africanos e europeus. Os seus Presidentes foram o médico Américo Boavida e o Rev. Domingos da Silva.
O programa de assistência sanitária foi implementado com sucesso, por acção a 10 médicos e pouco mais de 30 enfermeiros, que actuavam em postos sanitários espalhados pela fronteira.
O CVAAR desencadeou também um programa de luta contra o analfabetismo, tendo-se assinalado a insuficiência de professores das diferentes classes. Havia ainda um terceiro programa de alojamento e de apoio alimentar e em vestuário.
Infelizmente, o corpo Voluntário Angolano de assistência aos Refugiados teve existência efémera, pois durou apenas três anos, tendo sido extinto em 1964, na sequência de animosidades e de actos de boicote e sabotagem perpetrados pela UPA, junto das populações e das autoridades locais.
"O CVVAR teve acção heroica no quadro da luta de libertação, tendo trabalhado em condições difíceis e perigosas”, aludiu Manuel Boal.
Agendada para o dia 09 do corrente, a próxima Conversa à Quinta-Feira vai  falar sobre a Formação contínua de professores em Angola, cuja prelecção será feira pedagoga Jurema Gando, e contará com a moderação do sociólogo Laurindo Vieira.
Os interessados em participar devem acessar o ID: 698576385 com a senha AAL2022.







Autor: Leda Dombaxi

Fonte: TPA Multimédia