Sociedade
02 Maio de 2022 | 10h10

Mulheres com duplo papel partilham as suas histórias

O presidente do Conselho Geral, Programas e Projectos da Igreja Metodista Unida, reverendo Vladimir Agostinho, reconheceu, este domingo, em Luanda, o papel preponderante e gratificante do exercício da maternidade.

egundo ele, a mãe proporciona educação e garante o bem-estar dos filhos. "A Bíblia nos conta sobre muitas mães que interferiram na história da humanidade e mulheres que desempenharam o seu papel de mães em situações extremas, vencendo grandes obstáculos e sendo formadoras de carácter", disse o reverendo, acrescentando que o amor de mãe é inconfundível, traz segurança, força, promove a paz e acalma o coração. "A mãe tem a força que se precisa para enfrentar obstáculos e vencer as dificuldades do dia a dia".

Além de ter o poder de dar à luz, tem o papel de velar pela construção de valores e princípios fundamentais, conclui o reverendo, que falava em alusão ao Dia da Mãe, assinalado ontem.  

Para o sociólogo António Catemba, nem todas as progenitoras podem receber o adjectivo de mãe, pois temos verificado mulheres que geram e não cuidam.

"Mulheres que geram e deitam os filhos em contentores, acabando por cometer crime de violência doméstica, do ponto de vista sociológico não merecem prestígio social".

Segundo o sociólogo, do ponto de vista daquilo é a nossa matriz cultural, a mãe é aquela que recebe o espírito materno ou aprende as habilidades de criar filhos.

Em prol da efeméride, ouvimos Ana Paula e Macia Nayol, mulheres que desempenham o papel de mãe e pai.

Ana Paula reconhece as conquistas alcançadas, depois de ter sido abandonada com três filhos menores. Conta que trabalhou dia e noite e que  criou um negócio de pasteleira, apesar de trabalhar numa instituição estatal, para que nada faltasse aos filhos, principalmente saúde, comida e educação. No meio de tanta correria refere, com visíveis sinais de satisfação, resta tempo para a diversão. "Deus tem sido a base de tudo, considero-me uma heroína".

A jovem empreendedora acrescentou que as crianças ficaram traumatizadas quando foram abandonadas pelo pai, cenário que actualmente está ultrapassado. "O meu esposo ajuda a transmitir princípios morais e cívicos, o que aumenta a minha felicidade".

Marcia Nayol, que também desempenha o papel de mãe e pai, conta que começa o seu dia às 4 da manhã, para deixar comida para as duas filhas e que, após várias horas na cozinha e a servir clientes num restaurante, tem de ir buscá-las à escola.

A jovem Márcia Nayol conta que já recorreu à Justiça em busca dos direitos dos seus filhos e que o processo corre os seus trâmites legais. "É injusto mulheres cuidarem dos filhos sozinhas, pelo facto dos pais, muitas vezes bem empregados, se recusarem em apoiá-los", disse, defendendo, por outro lado, acções mais severas para diminuir a fuga à paternidade.

 Sobre a efeméride

 Reza a história que o Dia da Mãe foi idealizado por Ann Reeves Jarvis, que, em 12 de Maio de 1907, dois anos após a morte de sua mãe, criou um memorial e iniciou uma campanha para que este dia fosse um feriado. 

Ann Reeves Jarvis obteve sucesso ao tornar o dia reconhecido nos Estados Unidos, em 1914, quando a resolução Joint Resolution Designating foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos, tendo sido designado o primeiro domingo do mês de Maio como Dia da Mãe.

Fonte: JA