Sociedade
19 Abril de 2022 | 10h25

Sítios históricos aguardam por classificação a património nacional

A província de Malanje dispõe de sítios históricos considerados como monumentos que aguardam pela sua classificação como património cultural, natural e histórico nacional, capaz de contribuir para um turismo sustentável, gerando milhares de empregos e arrecadar receitas para os cofres do Estado.

Conhecida como a terra da Palanca Negra Gigante, Malanje possui uma vasta gama de patrimónios quer naturais, quer históricos e arquitectónicos. 

A título de exemplo, a localidade paisagística das Pedras Negras de Pungo a Ndongo, no município de Cacuso, a 72 quilómetros a Oeste da cidade de Malanje, aguarda desde 2007, pela sua classificação pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente como património histórico nacional.

O também património natural está bem privilegiado por possuir as majestosas formações de pedras, que estão na base da originalidade do nome da comuna de Pungo a Ndongo, e que tornam a região como sendo um bom local para a prática do turismo.

A região reveste-se também de um elevado significado histórico, por servir de ponto de passagem dos soberanos do Reino do Ndongo, no caso Ngola Kiluanje e Rainha Nginga Mbande, que deixaram  a sensação  das suas pegadas.

Independentemente disso, Pungo a Ndongo constitui um lugar santo e de fé por ter sido a zona onde se instalaram os primeiros missionários católicos e metodistas, estes últimos na localidade de Quiongua, considerada por muitos como sendo o berço do metodismo em Angola.

A nível da arquitectura civil, a região conta com o antigo Palácio da Administração Colonial, que é um património classificado. Enquanto isso, na arquitectura religiosa está a antiga Missão do Quéssua, que dista a sensivelmente 12 quilómetros da cidade de Malanje.

No que diz respeito à arquitectura militar, destaca-se a fortaleza de Calandula, um outro   património classificado,  embora tenha um processo de classificação em função da sua completa destruição por acção da guerra.

A província de Malanje conta, neste momento, com 60 sítios turísticos e históricos identificados, sendo que alguns deles têm já o seu processo em andamento para a sua classificação como monumento, estando apenas a faltar alguns procedimentos legais.

 

Estado de Conservação

O estado de conservação de alguns patrimónios culturais, sobretudo os que se encontram classificados e que têm sido usados pelos munícipes, no caso, as instalações onde funciona a Administração Municipal de Malanje, bem como a Igreja do Quéssua, têm estado a ser efectivamente protegidos.

No que se refere as zonas paisagísticas, Malanje conta com as grutas do Kunda-do Bale, as quedas de Calandula, eleitas como uma das sete maravilhas de Angola com 100 metros de altitude, a localidade do Salto de Cavalo e as Pedra Negras de Pungo a Ndongo.

 Zonas  balneares

Malanje destaca-se, ainda, com as zonas balneares do rio Kwanza, no município de Cangandala, a 28 quilómetros a Sul da cidade, muito frequentada por turistas nacionais e estrangeiros e que deve merecer igualmente ao máximo a atenção da sua preservação, de forma a proteger o meio ambiente que o circunda.

É igualmente uma zona histórica pelo facto de ter sido um local onde alguns escravos negros eram concentrados e levados para outros pontos do país para fins comerciais durante a dominação colonial, conforme reza a história.

Salienta-se que, o governo tem em carteira projectos de conservação dos patrimónios e lugares históricos devendo permitir a interactividade com as administrações municipais que detêm estes bens patrimoniais culturais para a sua preservação, divulgação e promoção.

Fonte: JA