Cultura
02 Abril de 2022 | 13h19

Mundo celebra Dia do Livro Infantil

O Dia Internacional do Livro Infantil, celebrado hoje, é um evento internacional comemorado no dia 2 de Abril, para honrar a memória do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, tida como a maior referência.

Em Angola, a data, embora passe relativamente despercebida, é também celebrada na medida em que a literatura infantil já tinha ocupado, por mérito próprio, o seu espaço e galgava terreno firme com autores e autoras, bem como leitores.

 Reconheçamos que, desde há algum tempo, que a literatura infantil, pelo menos  comparativamente ao apogeu, pouco depois da Independência Nacional e durante a década de 80, regrediu bastante. Quer do ponto de vista da produtividade da literatura infantil, quer do ponto de vista da renovação geracional, entre os autores, quer do ponto de vista do gosto ou apego à leitura, entre outros factores. O parque gráfico do país, por força das variáveis mencionadas, acrescidas da realidade proporcionada pelos audiovisuais, referindo-se muito concretamente à sociedade angolana, acabaram também por reduzir ainda mais o peso e impacto da literatura infantil.

No período mencionado, as penas de Manuel Rui, Dario de Melo, Octaviano Correia, Gabriela Antunes, Eugénia Neto, Cremilda de Lima, Celestina Fernandes, apenas para mencionar estes nomes, entretinham meninos que actualmente são pais, alguns avós, e que podem e devem incutir hábitos de leitura aos dependentes, ainda que residualmente. Alguns fazem, evidentemente.

As mudanças políticas, sociais e culturais, produzidas pela abertura ao multipartidarismo e à economia de mercado não foram precedidas de uma estratégia, num contexto completamente diferente, que envolvesse uma política nacional do livro, por exemplo.

Não se procurou estabelecer alguns cânones da literatura angolana, especificamente ligada aos menores, para que esta estivesse também ao serviço não da construção do "homem novo”, mas do ser moldado aos desafios da democracia, liberdade, diversidade, pluralismo e luta de ideias. 

Mas vamos ainda a tempo de introduzir políticas que incidam na revitalização dos gostos de leitura, preferencialmente com autores angolanos, e neste aspecto os currículos escolares e eventualmente a Lei de Bases do Sistema de Ensino deviam contribuir para o papel que a literatura infantil tenha no Ensino.

Se as escolas maximizarem o uso da literatura infantil, nos processos de ensino e aprendizagem, obviamente que os gostos acabam por emergir e da vida infanto-juvenil para a adulta vai ser apenas uma questão de continuidade. 

Hoje, a literatura infantil, em Angola, não morreu e, ainda que muito residualmente, ela continuará a existir por causa de valorosos patriotas que, mesmo nas circunstâncias actuais, não hesitam em continuar a apresentar  propostas literárias para os nossos menores. Nomes como John Bella  e Ondjaki representam uma geração nova que abraça o desafio de continuar a produzir literatura infantil, restando que se incentivem os gostos aos mais novos.

Fonte: JA