Economia
14 Março de 2022 | 09h17

Exportações petrolíferas rendem 412,3 mil milhões

A venda de petróleo ao exterior rendeu ao país, em Fevereiro, 412,3 mil milhões de kwanzas, resultante da exportação de 31,8 milhões de barris ao preço médio de 75,7 dólares.

O Ministério das Finanças, na sua página de Internet, cita as declarações fiscais submetidas à Administração Geral Tributária (AGT) pelas companhias petrolíferas, incluindo a Concessionária Nacional como fonte da origem da informação.

Comparativamente a Janeiro, em que a receita anunciada foi de 1,06 biliões de kwanzas, de 37,5 milhões de barris vendidos, ao preço de 66,5 dólares, observa-se um acentuado decréscimo nas entradas.

Porém, lê-se na informação, naquele mês houve o registo das entradas de 363,4 mil milhões de kwanzas da taxa de gás e mais outros 46,6 mil milhões de Imposto sobre a Transacção de Petróleo (ITP), receitas não cooptadas agora no mês de Fevereiro.

O bloco 17, com 12 milhões de barris, foi o mais produtivo e o terceiro com a rama mais cara ao vender ao preço médio de 88,10 dólares, só abaixo dos 88,21 e 88,47 dólares dos blocos 14 e 0 (Namibe).

Já a Concessionária contribuiu com uma receita de 301,7 mil milhões de kwanzas em Fevereiro, abaixo dos 472,1 mil milhões do mês anterior (Janeiro).

 Brent continua acima dos 100 dólares

O barril de petróleo mantém uma alta significativa, com o brent, referência às exportações de Angola, a fechar a semana nos 112 dólares, depois de ao longo dos primeiros 12 dias do mês ter chegado a um máximo de 139,13 dólares, isso na segunda-feira da semana passada.

Segundo o histórico de operações das negociações para entregas em Maio, entre 14 de Fevereiro e igual período deste mês, o preço centrou-se numa média de 104,05 dólares, com o mínimo de 90,12 dólares.

A diferença entre o valor mais alto e o mais baixo, apurado nas sessões de Londres, atingiu em 30 dias um saldo positivo de 49,01 dólares.

Por agora, as fortes incertezas dos operadores têm a ver com a alta da inflação mundial, apoiada também pela menor oferta de alimentos geradas pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Os temores são de que o mercado não suportar por muito tempo as alternativas de os países lançarem as reservas para travar a subida generalizada do preço do petróleo e consequentemente dos refinados bem como dos alimentos e de certas matérias-primas.

 Visão das Mulheres

O aumento do preço do petróleo, que se tem registado nas últimas semanas, no mercado internacional, poderá confortar e encurtar o período de pagamento da dívida de Angola aos credores, perspectivou, na última sexta-feira, em Luanda, a engenheira de Minas e Perfuração, Joana Francisco.

Em declarações à Angop, à mragem do workshop denominado "A visão da mulher sobre o sector petrolífero – Petro talks”, numa iniciativa da PetroAngola, a especialista angolana sustentou que a aceleração da liquidação da dívida do país só será possível, caso se mantiver a tendência da subida e estabilidade do preço do principal produto de exportação em Angola.

Acrescentou que o aumento do valor do petróleo é positivo, por elevar os níveis de arrecadação de receitas, que servirão para acelerar o pagamento da dívida do país. Recordou que o impacto/reflexo directo do aumento do valor do crude no "bolso dos cidadãos” ainda não será imediato, mas dependerá, essencialmente, da estabilidade do preço do petróleo no mercado externo.

"A constante volatilidade ou oscilação do preço do Brent dificulta fazer previsões. Portanto, ainda é prematuro prever o período em que o valor do petróleo passará a reflectir-se no bolso de cada cidadão, devido a imprevisibilidade do mercado petrolifero”, aclarou.

Com base nos últimos preços, estima-se que o diferencial no OGE2022 esteja à volta dos 53 dólares.

Fonte: JA