Sociedade
07 Março de 2022 | 15h17

Produção de carvão vegetal devasta florestas

A exploração artesanal de carvão vegetal, por parte das comunidades rurais, está a devastar a flora na província do Cunene, afirmou hoje, segunda-feira, o chefe do Instituto de Desenvolvimento Florestal, Dumbo Kangopito Mupei.

Em declarações à ANGOP, o responsável disse que na província não existe cidadãos licenciados para a produção e comercialização do carvão, realçando que a mesma é exercida por famílias vulneráveis que têm no carvão a fonte de sustento.

Dumbo Mupei sublinhou que fruto da fome e da seca mais famílias passaram a fabricar e a comercializar carvão, cujo fenómeno preocupa a instituição, pois contribui para a devastação, em grande escala de extensas matas.

Sem avançar a extensão até agora devastada, disse que o fenómeno feito de forma reiterada, alastrou-se em "grande escala" e está a causar o desaparecimento de várias espécies de árvores, com destaque para o Mupame (Omufiati).

Na visão do especialista, as queimadas com a finalidade de explorar carvão, têm consequências para a preservação das espécies da biomassa no solo e o garante da manutenção da vida na terra.

Entretanto, frisou que a exploração do carvão deve ser exercida com o acompanhamento e orientação técnica, dentro das normas estabelecidas por Lei, mas o factor pobreza tem vindo a dar lugar ao surgimento de muitos ilegais.  

Disse que a comercialização do carvão é feita ao longo das estradas e mercados informais, transportados por motorizadas, pessoas e animais.

Apontou os corredores da estrada nacional 105, sobretudo na área limítrofe entre o município da Cahama e Gambos, Uia/Mujumbe, Xangongo/Mongua, Ondjiva/Omupanda, Ondjiva/Capanda e Mupa como os focos da exploração.

Para contrapor a actual situação realçou a necessidade de um maior envolvimento dos líderes comunitários, autoridades tradicionais e religiosas, no sentido de ajudar na sensibilização da população.

O IDF, segundo ele, tem apenas nove fiscais, para contrapor à exploração ilegal de madeira, abate de árvores para a produção de carvão e a caça furtiva, a nível dos seis municípios do Cunene.

Entretanto, fez saber que durante o ano de 2021 foram aplicadas cinco multas que resultaram na arrecadação de três milhões kwanzas.


© Fotografia por: José Cachiva (Angop)