Economia
07 Março de 2022 | 09h08

Kwanza está mais forte nas trocas

A moeda nacional - o Kwanza reforça, cada vez mais, o posicionamento no mercado, valorizando ante a cesta de moedas dos países com os quais Angola realiza regularmente trocas.

Segundo o Banco Nacional de Angola, contra os 522,329 kwanzas que custava cada dólar a sete de Fevereiro, um mês depois, são precisos só 475,025 kwanzas para comprar-se um dólar dos Estados Unidos da América. A variação é de cerca de 10 por cento.


Depois de nos últimos anos ter chegado nos perto dos 600 kwanzas, a queda para abaixo de 500 kwanzas ocorreu a 20 de Fevereiro, num marco histórico bastante realçado por consultores internacionais.


Em relação ao Euro, cujo preço de 597,753 kwanzas já evidenciava queda face aos 602,976 kwanzas de preço médio, os actuais 524,372 kwanzas acentuam esse ganho de terreno da moeda nacional. Aqui a variação aproximou-se dos 15 por cento em cerca de um mês.


Segundo Eliseu Vunge, a reforma cambial iniciada está a contribuir para diminuir a diferença entre a taxa de câmbio oficial e do paralelo. Para ele, a moeda nacional já deveria ter concluído o ajustamento, após a reforma à política cambial iniciada, em 2018, pelo BNA, levando o Kwanza ao ponto de equilíbrio.


Por sua vez, o também economista António Estote disse não haver dúvidas que o Kwanza tem apreciado em relação ao dólar. Apreciou-se 80 kwanzas de 555 kz/USD a 31 de Dezembro de 2021 para Kz 475, segundo a última cotação de 4 de Março de 2022.


Já Fernando Vunge, também economista, afirma que a apreciação do Kwanza é decorrente de dois factores (liberalização do mercado cambial e o consequente aumento de participantes na oferta de divisas, através da plataforma da Bloomberg assim como do aumento do preço do petróleo no mercado internacional que tem impactado no aumento das Reservas Internacionais Líquidas.


Para Augusto Fernandes, economista e consultor em poupanças, a forte dependência das exportações angolanas às exportações do petróleo e gás torna a apreciação ou depreciação do Kwanza muito dependente do preço do barril de petróleo no mercado internacional. Nota que de cada 100 dólares que entra no país 95 tem origem na exportação de petróleo e gás. Assim sendo, explica, uma vez que o preço do barril está em alta a oferta de divisa também está em alta.


Reservas Internacionais


As Reservas Internacionais Brutas (RIB) do país iniciam a semana nos 16,2 mil milhões de dólares, acima dos 15,9 mil milhões com que fechou o mês de Fevereiro, segundo o quadro sobre a evolução diária actualizado pelo Banco Nacional de Angola.


Em termos de Reservas Líquidas, o país tem agora 10,6 mil milhões, também acima dos 10,3 mil milhões com que fechou o mês de Fevereiro.


O "stock" actual pode comprar lá fora (importações de bens e serviços essenciais) durante mais de 10 meses consecutivos.

Tendo em conta os 15,5 mil milhões de Reservas Brutas e os 9,8 mil milhões de Reservas Líquidas com que se fechou 2021 e iniciou 2022, as actuais cifras são também o ponto mais alto deste ano, considerando os resultados dos meses de Janeiro e Fevereiro. A convergência média da SADC obriga a que os países tenham em reservas quantidade mínima capaz de suportar seis meses de importações em caso de extrema gravidade, As actuais cifras posicionam, assim, o país numa situação de conforto.

É bastante alta a expectativa de crescimento real das RIL neste momento, considerando os preços actuais do principal produto de exportação do país nos mercados internacionais.

Fonte: JA