Cultura
01 Março de 2022 | 09h49

Carnaval e o Centenário de Neto

Hoje é Dia de Carnaval, num formato diferente do habitual, desde o ano passado, mas que importa celebrar, festejar e honrar a efeméride, ainda mais pelo facto desta edição propor-se homenagear o primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto.

Na verdade, importa lembrar que está em andamento um conjunto de iniciativas que deverão culminar em Setembro deste ano na celebração do Centenário de António Agostinho Neto, diligência encabeçada pela comissão propositadamente criada para o efeito pelo Executivo.

Manguxi, como era carinhosamente tratado o estadista que proclamou, perante África e o Mundo, a Independência Nacional,  é uma figura incontornável quando se tratam das celebrações ligadas ao Carnaval, tendo ficado também na História como um dos maiores impulsionadores da referida festa, no longínquo ano de 1978.

Afinal tinha sido o primeiro Presidente de Angola a anunciar a realização do Carnaval, no dia 14 de Janeiro de 1978, num  grande comício realizado na Quinta Avenida, no município do Cazenga, em que praticamente interagiu com as populações, recomendando-as a inovar, a regressar às origens e a "angolanizar” o  Carnaval.

A histórica música que levou ao pódio o emblemático grupo carnavalesco União Operário Cabocomeu, em que fazem referência ao nome e figura do primeiro Presidente de Angola é também corolário do lado incontornável da dimensão cultural de António Agostinho Neto do ponto de vista do fomento do Carnaval.

O início das celebrações do Carnaval, tipicamente angolano, demarcando-se dos bailes e festas mais fechados do período anterior à independência, como pretendia o primeiro Presidente, apelando às festas de rua, à espontaneidade e muita folia, electrizava as multidões, as comunidades e as famílias. Era show de verdade, que não deixava ninguém indiferente.

O Carnaval, inicialmente denominado da Vitória, fruto do desfecho do conflito que se tinha despoletado com a invasão das então forças mercenárias do regime minoritário sul-africano, era uma verdadeira festa, competitividade artística e inter-bairros, inteiramente diferente dos anos posteriores, marcados pelas mudanças.

Toda folia, impacto músico e cultural que o Carnaval passou a ter na década de 80 do século passado, estão hoje bem gravadas  na memória de milhares de angolanos que viveram, quer como protagonistas, quer como espectadores.

Hoje, num formato virtual e apesar das mudanças colossais que o Entrudo conhece(u) ao longo de vários anos, deve-se relevar o  esforço feito por muitos para a sua preservação e continuidade.

Num dia como hoje em que se convencionou homenagear o primeiro Presidente de Angola, enquanto um dos impulsionadores do Carnaval,  importa felicitar a todos os fazedores da referida festa e augurar que esta edição seja o pontapé de saída das festividades e celebrações que deverão conhecer o ponto alto em Setembro quando o país comemorar o Centenário de António Agostinho Neto.

Fonte: JA