Sociedade
12 Fevereiro de 2022 | 11h26

Luanda regista escassez de gás de cozinha há sete dias

Vários bairros da província de Luanda registam, há cerca de uma semana, escassez de gás butano. Os poucos agentes revendedores que têm o produto estão a comercializá-lo a preços altos, constatou, sexta-feira (11), o Jornal de Angola.

Numa ronda feita pela cidade, o JA verificou que a botija de 12 quilogramas, com preço oficial fixado a 1.200 kwanzas, está a ser vendida a dois mil kwanzas, situação que está a preocupar muitas famílias e os próprios agentes revendedores.

Rochedo João, proprietário de uma agência de gás, na zona do Morro Bento, disse que tem o camião com mais de 200 botijas vazias, numa fila da SonaGás, há mais de três dias. O revendedor frisou que esta falta de gás deu-se, a partir de 4 de Fevereiro. Nessa altura, o camião da agência que gere chegou a levar dois dias para receber cerca de 250 botijas.

Já Abel Domingos, motorista de um dos camiões na fila, na rua da SonaGás, desde segunda-feira última, explicou que "essa longa espera é sinal de que há mesmo escassez e só beneficia alguns agentes”.

O camionista acusou que tem havido tratamento diferenciado aos agentes revendedores a nível da SonaGás. "Quando aparecem os camiões dos chefes, são sempre priorizados e abastecidos, por causa dos esquemas já antigos”, lamentou.

Catarina Vilhena, residente no Bairro Nelito Soares, contou que teve de cozinhar no carvão, durante três dias, porque nem na Macambira, que é uma agência oficial de revenda, conseguiu gás.

Catarina Vilhena disse que o filho conseguiu comprar o produto, no preço de dois mil kwanzas, no bairro Uíge, numa rua próxima à SonaGás, empresa responsável pela distribuição do gás de cozinha.

Informações dadas por um trabalhador da SonaGás, que preferiu anonimato, disse que a falta do gás na cidade se deveu a uma avaria numa das condutas de enchimento, mas que este equipamento já foi soldado, na última quarta-feira, no período da manhã.

Em função disso, no período da tarde do mesmo dia, os camiões que se encontravam perfilados começaram a ser abastecidos, mas com alguma dificuldade, porque as próprias condutas de enchimentos já estão cansadas e carecem de ser substituídas.
 
Sonangol nega ruptura 

Em reacção, a Sonangol, em áudio enviado ontem, através do seu Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa, assegura que "há disponibilidade suficiente de gás para satisfazer o mercado nacional”.

O presidente da Comissão Executiva da Unidade de Gás e Energias Renováveis da Sonangol, Manuel Barros, explicou que a procura acima do normal que se verifica está relacionada com o último fim-de-semana prologando. "Portanto, temos a situação controlada” afirmou Manuel Barros, num áudio enviado ao jornal.

Do ponto de vista operacional, realçou  que não houve avaria, mas interligação de uma nova unidade de armazenagem ao sistema de produção. "Temos 50 mil toneladas métricas de gás butano, suficientes para suportar 35 dias”, disse.

Fonte: JA