Cultura
09 Fevereiro de 2022 | 19h28

Galiano Neto é sepultado segunda-feira em Portugal

Depois das várias homenagens ao compositor, percussionista e intérprete Galiano Neto, falecido na última quinta-feira, em Lisboa, o seu funeral acontece na próxima segunda-feira (dia 14), no cemitério de Agualva-Cacém, em Sintra.

A informação publicada pelos familiares tem a seguinte programação: o velório acontece este domingo, na Igreja Paroquial de Mira Sintra, em Agualva-Cacém, a partir das 18h00, e no dia seguinte o funeral realiza-se às 10h00 no cemitério de Agualva-Cacém, onde também acontecem os serviços religiosos antes do último adeus.  

Também está a ser preparado um concerto musical em Lisboa, no espaço Espelho de Água para homenagear Galiano Neto, um dos mais refinados compositores angolanos com sucessos como  "Sessa Mulemba”, "Makalakato”, "João Dya Zanga”, "Lelú Kiá”, "Samba Yo”, "Jinjinda” e muitos outros. Várias  mensagens de pesar e de reconhecimento de colegas, amigos, admiradores e entidades oficiais têm chegado à Redacção do Jornal de Angola.

O ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, Filipe Zau, lamentou a morte do tamborista, cantor e compositor, tendo destacado as suas qualidades como compositor. O ministro endereçou sentimentos de pesar à família enlutada. 

Paulo Flores partilhou o seguinte: "Lembro-me de quando chegou numa digressão a Inglaterra com a ideia da música ‘Makalakato’ sempre a insistir para eu trabalhar a letra, o que felizmente fiz e o resto é história, nossa história, de luta e de dor. Dor que se repete agora que nos deixaste. A cultura de Angola perdeu um grande da nossa história. Descansa em paz Biggas. Eterna saudade”.

Marito Furtado, colega no tempo do Grito Di Povo e Merengues, usando as redes sociais escreveu: "Obrigado por tudo eterno Mestre. Ao longo destes 28 anos de existência e com 4 CDs gravados a Banda Maravilha tem interpretado e gravado músicas de inúmeros compositores angolanos, mas sem sombra de qualquer dúvida  foste e continuarás a ser o nosso compositor preferido e a provar isso é a gravação das músicas ‘Samba Yo’, ‘Palame’, ‘Lelu Kiá’ e ‘Sessa Mulemba’”. 

Nelo Carvalho também não deixou de reconhecer os feitos do companheiro: "Meu mano Galiano Neto, infelizmente deixou-nos, vai ficar muita saudade da sua alegria, o seu tocar, a sua amizade, a sua composição, escreveu para mim dois belíssimos temas ‘Zanga’ e ‘Jinjinda’, era daquelas pessoas que merecia viver eternamente”. 

Dom Kikas revelou: "Meu parceiro em todas as músicas que canto em kimbundu. Perdi um amigo, um grande Mestre do semba e da angolanidade. Tu sabes o respeito, a estima e a admiração que tenho por ti. Até sempre meu Kota. Vai com Deus, descansa em paz”.

Os bissau-guineenses, do Tabanka Djaz, consideram Galiano Neto como sendo talvez o mais versátil dos músicos angolanos da actualidade. "Tabanka Djaz está literalmente de luto, pois mais de que um amigo, o Galiano Neto era um irmão que fez parte do nosso grupo durante quase uma década. Compositor, percussionista, professor e mestre, Galiano era para nós uma enciclopédia ambulante de tão elevado que era o seu nível cultural. Extrovertido por excelência, não dispensava uma boa discussão sobre política ou cultura, sempre com a sua Angola como pano de fundo. Defensor acérrimo de valores que dizia terem-se perdido na sua terra natal e da pureza da verdadeira música tradicional angolana, o nosso amigo levou essa mensagem a todos os países que visitou com os Tabanka Djaz, nos quatro cantos do mundo. Descansa em paz amigo, já mais te esqueceremos”.

Galiano Francisco Neto nasceu na Ilha de Luanda aos 18 de Abril de 1856, filho de Francisco Custodio Júnior e de Francisca Miguel. Instrumentista e compositor dedicou toda a sua vida à música angolana. Seguiu a trajectória do pai e integrou o grupo carnavalesco União Mundo da Ilha, tornando-se compositor. Integrou o Grito de Povo e depois foi substituir Joãozinho Morgado, seu primo e principal influência nos Merengues.

Em Portugal desde os anos 1990, Galiano Neto colaborou com os grupos e artistas: Semba Masters, Malta da Paracuca, Turma da Bênção, As Gingas do Maculusso,  Tabanka Djazz , Nancy Vieira, Waldemar Bastos, Chaló Correria, Paulo Flores, Eduardo Paim, Bonga, Jorge Rosa  e Don Kikas.  Explorou outras sonoridades como reggae com os Kussondulola.