Cultura
13 Janeiro de 2022 | 13h40

Grupos carnavalescos de Luanda decidem futuro da “festa do povo”

Os grupos carnavalescos de Luanda reúnem hoje, na sala de conferência do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, em Talatona, para decidirem pela realização ou não, este ano, da “festa do povo”.

A decisão foi apresentada na terça-feira, durante um encontro mantido com a Associação Provincial do Carnaval de Luanda (Aprocal), no auditório da Escola Njinga Mbande, no qual, a maioria decidiu não existirem condições para a realização da "festa do povo”, nos moldes competitivos habituais.

Como solução defendem a criação de um programa cultural, mais restrito, em substituição aos habituais desfiles competitivos, devido ao aumento dos casos da Covid-19 pelo país. A referida proposta é analisada hoje, numa reunião entre a direcção da Aprocal, como representante dos grupos, da Direcção Nacional da Cultura e do Governo Provincial de Luanda (GPL), através da Direcção da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos.

Este ano, os desfiles estão previstos para os próximos dias 27 de Fevereiro e 1 de Março, na Nova Marginal, como informou ao Jornal de Angola, o secretário-geral da Aprocal, António de Oliveira "Delon”, tendo acrescentado que tudo depende do encontro de hoje e em especial da evolução da Covid-19.

O encontro de hoje, acrescentou, vai servir, ainda, para colher opiniões importantes sobre a eventual estratégia a ser adoptada caso se opte pela realização de actividades culturais, em substituição aos desfiles, não somente em Luanda, assim como nas demais províncias e sem a presença massiva dos foliões.

A ideia, adiantou, é, caso não seja possível a realização do Carnaval de Luanda nos moldes tradicionais ou no formato "live”, propor a promoção de actividades modestas, mas de grande valor simbólico, de forma a não deixar passar "no esquecimento” a maior manifestação cultural do país.


Expectativas

Em vésperas da realização do Carnaval e diante do actual quadro epidemiológico, há uma enorme preocupação e expectativa em alguns grupos, quanto à realização de mais uma edição.

O presidente do grupo carnavalesco União Mundo da Ilha, António Custódio "Babel”, considerou fundamental ter alguma prudência quanto à realização, esse ano, do Entrudo, no formato normal, devido ao aumento dos casos de Covid-19. "Embora estejamos preparados para actuar a qualquer momento no acto central é preciso certa cautela”, disse, expectante com o encontro de hoje.

Para António Custódio, "o melhor mesmo seria o cancelamento para salvaguardar a saúde dos foliões”. Como sugestão, aconselha a organização de um Carnaval "live”, num trabalho conjunto com a TPA, ou a transmissão de uma das edições passadas, para não deixar passar despercebida a data.

Por sua vez, a financeira do grupo União Twa Bixila, Maria Luísa "Tia Neide”, disse que têm estado a preparar-se de formas a poder representar bem Viana.

Fonte: JA