Internacional
12 Janeiro de 2022 | 20h24

Justiça sul-africana cria nova unidade anticorrupção após falhas de Zuma

A justiça sul-africana criou uma nova unidade anticorrupção, após um relatório ter questionado a sua eficácia no combate ao crime a nível do Estado durante a Presidência de Jacob Zuma, anunciou hoje a Procuradoria-Geral do país.

Aprimeira parte do relatório da comissão de inquérito presidida pelo juiz Raymond Zondo, encarregada de investigar a corrupção durante a era Zuma, entre 2009 e 2018, foi entregue ao Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, na semana passada.

O documento de mais de 800 páginas, contendo quase quatro anos de testemunho, conclui, entre outras coisas, que a capacidade da Autoridade Nacional do Ministério Público (NPA, na sigla em inglês) para processar judicialmente tem sido minada por anos de interferência política.

A NPA, que reconheceu o problema, disse numa declaração que tinha formado uma nova equipa ('task-force') com a unidade de polícia de elite da África do Sul, os 'Hawks'.

Esta nova formação "analisa sistematicamente as conclusões e recomendações da comissão, com vista a investigar e construir casos de procedimento criminal contra aqueles que infringiram a lei, seja no setor público ou privado", diz a declaração da Procuradoria.

"A NPA está a reconstruir-se lenta mas seguramente para cumprir o seu mandato essencial", assegurou ainda o poder judicial.

O relatório completo do inquérito sobre a corrupção deverá ser entregue até ao final de fevereiro.

Zuma, 79 anos, foi condenado a uma pena de prisão pela sua insistente recusa em testemunhar perante o juiz Zondo, e está em liberdade condicional desde setembro, por razões médicas.

A sua prisão, em julho, desencadeou uma onda de violência no seu bastião Kwazulu-Natal e em Joanesburgo, matando mais de 350 pessoas.