Economia
12 Janeiro de 2022 | 20h11

Angola precisa de 374 mil toneladas de alimentos para estabilizar preços

O mercado angolano precisa de cerca de 374 mil toneladas de produtos armazenados, para garantir a estabilidade imediata dos preços, particularmente da cesta básica, disse terça-feira, o coordenador da Comissão de Gestão do Entreposto Aduaneiro de Angola, Eduardo Machado.

Ao falar no programa "Grande Entrevista" da Televisão Pública de Angola (TPA), referiu que, num curto prazo, o país pode substituir a importação de quatro produtos, nomeadamente milho, massango, mandioca e sal, que fazem parte dos 11 elencados para a Reserva Estratégica Alimentar (REA). 

"Para colmatar toda a pressão que a economia sofreu, em 2020 e 2021, Angola tinha que ter um sistema interno produtivo, capaz de abastecer 37 milhões de pessoas mas, infelizmente, o país está ainda em fase de construção deste sistema", reconheceu.

Tão logo o mercado esteja equilibrado, adiantou, começam as aquisições de produtos nacionais, como prioridade, sustentadas com a não recorrência da moeda estrangeira para compra de produtos, e pelo fomento do emprego e da actividade económica. 

Eduardo Machado sublinhou que a perspectiva é alargar a capacidade económica, potenciar o produtor nacional e a produção industrial interna, além de aumentar o emprego e acelerar a economia.

O coordenador da Comissão de Gestão do Entreposto Aduaneiro de Angola, que assegura o armazenamento e conservação dos produtos, destacou, a título de exemplo, a existência de um stock mínimo de 18 mil toneladas de fuba de milho.

A REA, enfatizou, vai ajudar a reduzir os encargos dos 11 produtos da cesta básica e completar os produtos que já existem no mercado. 

"Com este mecanismo o país pretende, de forma antecipada, criar bases com benefícios para poder regularizar o mercado, iniciando com a racionalização do circuito formal para regularizar os dois terços da economia informal do país", enfatizou.

Para tal, prosseguiu, o mecanismo será um comprador garantido desta produção, ou seja os produtores de milho, massango, mandioca e feijão, terão alternativas no escoamento e venda das suas produções. 

Segundo Eduardo Machado, se a economia for robusta isto força naturalmente os agentes informais a aderirem a formalidade da economia, com a reserva a garantir o escoamento dos produtos excedentes da agricultura familiar, por ser o comprador por excelência e acondicionar melhor os mesmos.

Fonte: Angop