Ciência
12 Janeiro de 2022 | 14h20

Investigadores japoneses criam máscaras que brilham quando detectam covid-19

Recorrendo a avestruzes, uma equipa de cientistas japoneses desenvolveu máscaras que detectam, sob luz ultravioleta, se uma pessoa está, ou não, infectada com covid-19. “A vantagem destas máscaras é que as pessoas assintomáticas podem detectar facilmente o coronavírus.”

Um grupo de investigadores japoneses desenvolveu uma máscara que, se tiver vestígios do vírus SARS-CoV-2, brilha perante a exposição à luz ultravioleta (UV) – a invenção foi possível através da extracção de anticorpos de ovos de avestruz.

Liderada por Yasuhiro Tsukamoto, de 52 anos, a equipa da Kyoto Prefectural University, no Japão, espera com esta criação, que para já ainda é um protótipo, facilitar e simplificar a testagem dos cidadãos. Através da utilização das máscaras, os utilizadores conseguem perceber rapidamente se estão infectados com covid-19.

De acordo com a Kyodo News, os cientistas injectaram, em Fevereiro do ano passado, uma forma não-ameaçadora de covid-19 nas avestruzes-fêmeas, o que permitiu que removessem, com sucesso, anticorpos dos seus ovos. Depois, criaram um filtro que é colocado dentro da máscara.

Após a utilização da máscara, o filtro é retirado e pulverizado com um corante que contém os anticorpos do novo coronavírus. Se a infecção por covid-19 for detectada, o filtro brilha na presença de uma luz ultravioleta. "A vantagem destas máscaras é que as pessoas assintomáticas podem detectar facilmente o coronavírus”, sublinhou Tsukamoto à Reuters.

Segundo a agência noticiosa, a experiência teve como premissa o facto de as avestruzes serem muito resistentes à covid-19. Em dez dias, 32 pessoas infectadas usaram as máscaras desenvolvidas pela equipa japonesa durante oito horas. Depois de pulverizados e sob luz ultravioleta, os filtros brilharam e confirmaram a infecção.

Curiosamente, o próprio Yasuhiro Tsukamoto, presidente da Kyoto Prefectural Universitydescobriu que estava com covid-19 quando usou uma destas máscaras experimentais – a infecção foi confirmada por um teste PCR.

Para já, a equipa de investigadores tenciona que o projecto seja aprovado pelo Governo para dar início à venda das máscaras já no próximo ano. Em declarações à Kyodo News, Yasuhiro Tsukamoto revelou: "Podemos produzir anticorpos em massa a partir de avestruzes a um baixo custo. No futuro, quero transformá-lo num kit de teste fácil que qualquer pessoa possa utilizar.”