Economia
07 Janeiro de 2022 | 10h35

Readaptação já garante resultados na adversidade Hélder Jeremias

A reactivação gradual do processo de formação de recursos humanos, a implementação de projectos com vista ao aumento da capacidade de produção e a adaptação à transição energética constituem as linhas de força projectadas pelo Conselho de Administração (CA) da Sonangol, para o exercício económico 2022.

Gaspar Martins, presidente do CA, que fez o anúncio, durante a primeira edição do programa radiofónico "Ngol”, considerou 2021 "um ano atípico e desafiante”, marcado pela mudança de paradigma, em virtude do espectro da pandemia de Covid-19”.

O gestor disse que, apesar dos enormes desafios a que esteve sujeita a Sonangol desde 2020, a empresa materializou muitos objectivos, graças  à capacidade de adaptação perante a nova realidade, tendo "a terrível contrariedade” exigido a sua reinvenção, tal como sucede com todas as operadoras do sector.

Os resultados alcançados, de acordo como o responsável, têm na sua base factores como estabilização das operações ao longo da cadeia primária de valor, que permitiu atender às necessidades de consumo doméstico e inverter o quadro de resultados financeiros registados em 2020, continuidade de processos de desinvestimentos em negócios e participações não nucleares e  optimização de custos.

Entre as acções estruturantes mais visíveis realizadas em 2021, o presidente do conselho de administração da petrolífera nacional destaca a alienação oficial de interesses e participações da Sonangol em oito blocos no offshore angolano, tendo recebido 35 propostas de 19 empresas, antes da fase de procedimentos e seguintes.

Também, Gaspar Martins referiu-se à conclusão de processos paralisados por "factores alheios à empresa”, cuja retoma só foi possível com o empenho de cada trabalhador, zelo, compromisso e trabalho em equipa, aos quais a administração endereçou "gratidão, tendo em vista novos projectos e parcerias relevantes para desenvolvimentos futuros”.

"Em 2022, além de pretendermos investir em projectos que aumentem a nossa capacidade de produção e adaptação à transição energética, vamos investir no capital humano, através da reactivação gradual do processo de formação de quadros, há algum tempo restringido”, disse.
 
Projecto Falcão

O lançamento da segunda fase do Projecto Falcão, no município do Soyo, província do Zaire, e a reabilitação das instalações de gás de Cabinda estão entre os investimentos de maior vulto efectuados pela Unidade de Negócios de Gás e Energias Renováveis em 2021.

Destinado ao processamento de gás para suporte de projectos industriais na zona Norte do país, o Projecto Falcão já proporcionou mais de 300 postos de trabalho a cidadãos locais, ao passo que reabilitação da instalação de gás de Cabinda permite o aproveitamento do gás produzido em Malongo, de acordo com o presidente da comissão executiva da Unidade de Negócios de Gás e Energias Renováveis (UNGER), Manuel Barros.

Relevância ainda para o projecto de transporte de gás por via ferroviária para Malanje, que visa assegurar a recepção de gás nas estações dos Caminhos-de-Ferro dessa província, a partir de Luanda, garantindo a distribuição para a Unidade de Enchimento da Sonagás. O projecto beneficia, além de Malanje, as províncias do Cuanza-Norte, Uíge, Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico.


 Terminal Oceânico

No ano passado assistiu, igualmente, à efectivação do relançamento das obras do Terminal Oceânico da Barra do Dande (TOBD), após uma paralisação de cinco anos.

O reinício dos trabalhos foi precedido por um concurso público, para eleição da empresa que deve dar continuidade às obras. O TOBD vai poupar divisas gastas com o armazenamento flutuante e ser uma base de armazenamento e recepção de produtos derivados de petróleo, cuja primeira fase deve terminar ainda este ano.

Outras importantes infra-estruturas, desenvolvidas durante o ano findo pela Unidade de Negócios Distribuição e Comercialização, são Luena (Moxico), onde foi construído um ramal ferroviário, através do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), que liga a Estação Ferroviária do Luena à instalação de combustível e à mini instalação de gás local.

A Unidade de Distribuição procedeu também à inauguração do pipeline que conduz Jet A-1 a partir das suas instalações até ao Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, um feito que vem poupar recursos financeiros alocados à componente logística para a disponibilidade e manutenção de camiões, cuja movimentação contribuía para o engarrafamento de Luanda, além de riscos de derramamento de combustível.

 
Negociação & Pumangol

O ano de 2021 ficou marcado pela aquisição dos activos da Pumangol pela Sonangol, tais como postos de abastecimento, instalações portuárias, aeroportuárias e postos de combustíveis, assim como  a  recuperação, junto da China Sonangol, de créditos devidos à petrolífera nacional.

Com a operação, a Sonangol recuperou, entre outros meios, embarcações várias, que posteriormente transferiu para a tutela do Ministério dos Transportes, "por entendermos que este departamento ministerial está em melhores condições de os colocar ao serviço da população, sendo mais uma contribuição da Sonangol para facilitar e melhorar as condições de transporte no país”.


Fonte: JA