Sociedade
25 Novembro de 2021 | 14h22

Responsável apela para cultura da denúncia da violência doméstica

A directora do gabinete provincial de AcçãoSocial, Família e Igualdade do Género no Cunene, Elizeth Mwamelungi, apelou,nesta quinta-feira, a sociedade a cultivar o hábito de denúncia dos actos de violência doméstica.

Em declarações à Angop, por ocasião do 25 de Novembro, Dia Internacional de Eliminação da Violência contra a Mulher, disse ser fundamental combater a cultura do silêncio, por ser responsável pelo agravamento da violência doméstica que enfraquece a estrutura familiar.

Sublinhou haver ainda na região muitas mulheres que sofrem a violência em silêncio, por temerem represálias por parte dos agressores ou rotura no relacionamento, facto que, não só promove a impunidade, mas também potencia os filhos como futuros agressores, ao testemunharem estes  males.

Em seu entender, a dependência financeira integral do marido impede que as mulheres exerçam o seu direito de denúncia e se desfaçam de relações conjugais causadoras de dor e de sofrimento.

Elizeth Mwamelungi entende que os esforços para a eliminação da violência contra a mulher não se esgotam na intervenção do Estado, mas no contributo de  cada cidadão, que deve sentir-se um defensor da igualdade no género, servindo-se, para o efeito, de todos mecanismos lícitos para combater a violência.

Por isso, a responsável apelou às famílias a manterem o diálogo,  respeito e o amor ao próximo, a obediência, responsabilidade e honestidade, para se evitar casos de violência doméstica.

Destacou o papel da mulher no seio da família, acrescentando ser ela a mãe da humanidade, "daí que toda ameaça ao seu bem-estar é também uma ameaça à estabilidade e à continuidade da espécie humana”.

Números mantêm-se elevados

De Janeiro a Setembro do corrente ano foram registados 621 casos de violência doméstica na província do Cunene, quando em 2020 foram contabilizados 703, mas 473 em comparação com o ano de 2019.

Entre os crimes, destacam-se os casos de abandono familiar, violência física, psicológica, patrimonial e agressões sexuais.

Segundo a directora, dos casos notificados, 347 tiveram tratamento nas salas de aconselhamento familiar e 274 a nível do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e Tribunal do Cuanhama.

Em 1999, as Nações Unidas (ONU) designou oficialmente o 25 de Novembro, como Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres com vista à alertar a sociedade para os vários casos de violência contra o género feminino,  nomeadamente casos de abuso ou assédio sexual, maus tratos físicos e psicológicos.

Sob o lema” Juntos no combate a violência baseada no género, rumo a sociedade justa e mais inclusiva”, foi realizada hoje, quinta-feira, uma operação stop nas principais artérias da cidade de Ondjiva, vocacionada à sensibilização dos automobilistas e peões.

No evento, que contou com a participação de mulheres enquadradas nas diferentes denominações religiosas, partidos políticos e associações femininas, foram transmitidas informações e entregues panfletos sobre a prevenção e combate à violência doméstica.

© Fotografia por: Garcia Mayatoko (Ed. Novembro)

Fonte: ANGOP