COVID-19
20 Julho de 2021 | 08h38

Quase metade da população do Haiti sofre de “pura fome”

Quase metade da população do Haiti, o país mais pobre do continente americano, está a sofrer de “pura fome”, denunciaram as Nações Unidas, admitindo que as perspectivas para melhorar a situação destas pessoas são actualmente diminutas.

A descrição da actual situação alimentar do país caribenho é feita por Adoniram Sanches, coordenador sub-regional para a Mesoamérica (que compreende o México e o norte da América Central) e representante da Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) no Panamá e na Costa Rica.

"O Haiti sempre registou entre 40% e 50% (de fome), houve uma ligeira redução nos últimos anos, mas agora já atinge quase metade da população”, afirmou o representante, numa entrevista à agência espanhola EFE.

De acordo com os dados fornecidos por Adoniram Sanches, 48% da população do Haiti, país que conta com cerca de 11 milhões de habitantes, "passa pura fome".
"É uma grave situação de insegurança alimentar”, que resulta de "fenómenos climáticos e sociais", prosseguiu. O Haiti regista graves problemas económicos, políticos, sociais e de insegurança, nomeadamente, com raptos para a obtenção de resgates, realizados por gangues que quase sempre ficam impunes. O país ainda tenta recuperar do devastador terramoto de 2010 e do furacão Matthew em 2016.

A inflação tem aumentado e os alimentos e combustível escasseiam no país das Caraíbas, onde 60% da população ganha menos de dois dólares (1,69 euros) por dia. O clima de crise agravou-se ainda mais com o assassínio, na semana passada, do Chefe de Estado, Jovenel Moise.
Na opinião de Adoniram Sanches, o Haiti pode ser encarado como "uma tempestade perfeita", porque é "duramente atingido pelas alterações climáticas", arrasta "uma instabilidade política ao longo dos últimos 20 anos” e, actualmente, também enfrenta à pandemia da Covid-19.

Como resultado, frisou o representante, metade da população está a passar fome. "O Haiti produz arroz desde as décadas de 1930 e 1940, mas entrou num ciclo de instabilidade política e institucional", acrescentou.

Fonte: JA