Sociedade
29 Maio de 2021 | 10h06

Caos em hospitais públicos «asfixia» stock de sangue e sobrecarrega morgues

Colapso do sistema de Saúde sufoca hospitais e Instituto de Sangue, que admite ter o stock baixo. Aumento de mortes deixa morgues de Luanda sem espaço.

O gritante aumento de casos de malária, que colocou os hospitais públicos numa "realidade caótica", está a "asfixiar" o stock de sangue das unidades sanitárias e a colocar em iminência de ruptura a reserva do principal banco de sangue, o Instituto Nacional de Sangue (INS). A pressão é também sentida nas morgues e cemitérios, devido ao aumento da taxa de mortalidade.


Ao Novo Jornal, profissionais de saúde descrevem um quadro "caótico" e "muito difícil de gerir". Nos hospitais públicos, principalmente nas urgências e internamentos, face à sobrelotação com os casos de malária, alguns doentes são atendidos no chão, outros nos colos de familiares ou até mesmo nos corredores. Situação semelhante, de acordo com os médicos, não se assistia desde 2016, quando houve o surto da febre-amarela.

Na Saúde há mais de 10 anos, um profissional que prefere o anonimato diz-se "assustado" com o que tem assistido nos últimos dias no Hospital Municipal de Cacuaco. No seu turno, revela, assistiu à morte de mais de 10 crianças, número, entretanto, inferior aos falecimentos ocorridos nos turnos antecedentes.

Fonte: NJ