Internacional
17 Agosto de 2022 | 09h28

A promessa do muro de Trump continua viva no Arizona... Mas o muro caiu

O estado está a preencher falhas na fronteira com o México, recorrendo a contentores.

Afronteira no estado norte-americano do Arizona, que separa os Estados Unidos do México, sofreu na segunda-feira um percalço, quando dois contentores usados para preencher as falhas na fronteira caíram. Os conservadores suspeitam de ação humana contra a tentativa de reduzir a entrada de imigrantes no país.

Os contentores servem para fechar um buraco de cerca de 300 metros na fronteira, perto da vila de Yuma. Uma correspondente do órgão local Univision Noticias publicou uma fotografia dos contentores tombados que, pertinentemente, caíram para o lado norte-americano.

"Ontem [domingo], o governador Ducey anunciou que a primeira brecha na fronteira de Yuma, onde estavam a ser utilizados contentores para fechar os espaços, estava terminada. Esta manhã [segunda-feira], amanheceram assim alguns contentores", escreveu Claudia Ramos.

Apesar de não haver testemunhas nem relatos sobre o que terá acontecido, as autoridades republicanas do Arizona acreditam que a queda dos contentores não se deveu a fenómenos climatéricos, mas antes à ação de pessoas que se opõem à política anti-imigração do estado.

Segundo o governador conservador, Doug Ducey, a nova fronteira física ficou pronta no domingo, mas na segunda-feira, as autoridades acrescentaram que os contentores "não estavam presos".

Na campanha para as eleições de 2016, o então candidato Donald Trump ficou conhecido por todo o mundo, não só pela sua famosa deixa, mas também por defender uma medida muito concreta e prática: um muro na fronteira com o México. "E o México vai pagar!", gritava.

Anos depois, a administração Biden tem dedicado menos tempo e dinheiro à fronteira (apesar da crise humanitária não ter desaparecido). Mas o estado republicano do Arizona continua firme na promessa de criar um muro - uma aposta que, acreditam os conservadores, irá reduzir a imigração de comunidades latinas nos Estados Unidos.

Para preencher os espaços na fronteira, deixados em aberto pelo corte no financiamento, Doug Ducey aprovou um muro de contentores, com cerca de 5 metros de altura, fora o metro de arame farpado em cima do muro. No total, esta estratégia serviu para ocupar cerca de 900 metros da fronteira e custou cerca de seis milhões de euros, descreve a PBS.

Apesar da promessa inicial de que não daria mais um cêntimo para o muro de Trump, a administração do presidente Joe Biden cedeu em algumas questões e aprovou em julho o envio de fundos para preencher buracos na fronteira em Yuma, mas as autoridades do Arizona consideraram que o governo federal moveu-se muito devagar. "O Arizona não ficará sentado à espera que a administração Biden falhe no seu trabalho de garantir a nossa segurança e da nossa nação, de um perigo claro e presidente que é uma fronteira insegura", afirmou o governador do Arizona, numa carta citada pela PBS.

Do lado do governo federal dos Estados Unidos, não surgiu nenhum comentário sobre a utilização de contentores, em cima de terreno federal, para criar a fronteira física.

A fronteira dos Estados Unidos com o México é uma das situações humanitárias mais complexas dos dois países, com os sucessivos governos norte-americanos (especialmente os liderados por republicanos) a prometer fechar a fronteira e a entrada a imigrantes vindos da América Latina - muitas vezes dificultando o processo de requerimento de asilo e detendo pessoas na fronteira.

A situação ganhou destaque internacional quando, durante o mandato de Donald Trump e sob a ordem do então presidente, as autoridades fronteiriças separaram crianças dos seus pais durante dias a fio, prendendo algumas crianças em jaulas enquanto aguardavam por documentação.

Fonte: NM